A baboseira da igualdade

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Pode ser um Brad Pitt com inteligência de um Einstein, se ele me convida para sair e na hora de pagar a conta aceita rachar comigo, adeus!, será a primeira e última vez que me verá nessa vida!

Desculpem, mas eu ando, sim, na contramão do pensamento feminista atual. Penso que o homem deve oferecer-se para pagar as contas dos restaurantes, bares e das saídas em geral. Não apenas porque considero uma atitude cavalheiresca e elegante, mas porque ainda estamos distantes luz da tal da igualdade com que viemos sonhando nos últimos anos.

Infelizmente, as pesquisas recentes atestam o que eu digo. Em pleno século XXI, continuamos percebendo salários menores do que os homens, realizando as mesmas atividades profissionais. As promoções nos ambientes de trabalho são primeiro designadas aos seres do gênero masculino. Mesmo com uma "presidenta", continuamos não sendo reconhecidas. Ora, já faz tempo que nos transformamos em arrimo de família, em provedoras solitárias ou majoritárias dos filhos e da casa. E tudo isso com rendas injustas e relevantemente inferiores aos dos homens.

Até quando?

Não faz muito tempo, na época da minha mãe, via de regra os homens iam trabalhar fora e as mulheres eram donas de casa. Nunca fomos remuneradas por esse serviço doméstico: chato, monótono, pesado e infinito. E jamais fomos reconhecidas. Os homens usavam os seus salários para dar casa, comida e estudo para os filhos, e isso já era muito. Não abriam as carteiras para cuidar da beleza e das "vaidades" de suas "rainhas do lar". E, nas raras vezes em que o faziam - com infinita má vontade -, reclamavam, tendo sempre a sensação de "dinheiro jogado fora" com tais futilidades.

Com o passar de um breve tempo, essas mulheres (que como "rainhas" nunca foram tratadas) ficavam envelhecidas, gordas e mal cuidadas, sem direito e sem dinheiro para o salão de beleza, para as roupas e acessórios, para os perfumes e maquiagens... Os homens olhavam para as suas mulheres e pensavam: meu Deus!, não foi com isso que eu me casei. E iam "apreciar" e "degustar" aquelas poucas mulheres que já trabalhavam fora, tão bem arrumadas, maquiadas e perfumadas. E pensavam: isso sim que é mulher!, não aquele tribufu que eu tenho em casa!

Mas, cansadas de sermos marias e de envelhecermos cedo, fomos à luta. Estudamos, nos profissionalizamos e conquistamos espaços no mercado de trabalho. Foi então que descobrimos como é bom (e fundamental!) um salão de beleza, um creme anti-rugas, um perfume de qualidade, uma roupa estilosa, uma bela bolsa, um lingerie de renda e um par de sapatos de couro. Daí em diante, não abrimos mais mão disso. Como dizia a minha avó: mulher que não se enfeita, por si se enjeita.

Os homens, por sua vez, passaram a nos apreciar, não só dentro de casa, como fora.

Como profissionais, começamos a contribuir financeiramente com as despesas domésticas, com as necessidades dos filhos, e tudo isso sem onerarmos os companheiros, pois sempre pagamos nossos salões de beleza, nossas roupas e "necessidades básicas" com o nosso dinheiro.

Dizem que mulher nunca fica satisfeita, pois o homem também não. Isso já não era e não é o suficiente. Agora, porque trabalhamos fora (embora com salários menores que os dos nossos amados machos), temos a obrigação de rachar as contas, todas.

Afinal, não queremos igualdade?!

Tudo bem, vamos rachar as contas, rapazes, todas. Também as de unha e cabelo, as de depilação e limpeza de pele, as de roupas e perfumes, as de cremes e bolsas, as de sapato e lingerie... De todas essas futilidades.

Combinados, então.

Sheilla Alves 

quarta 10 agosto 2011 08:35


Ser E Não Ser

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Isso ou aquilo, boa ou ruim, feia ou bonita, quero ou não quero, gosto ou não gosto, ser ou não ser..., que chata essa questão!

Se tem algo que me irrita é essa antiga e absurda mania maniqueísta ocidental. Se ao menos não tivéssemos o “e”, se ele simplesmente não existisse, daria para entender.

Será que algum dia vamos descobrir que as pessoas não são apenas e tão somente uma única coisa?! Eu, por exemplo, sou meio alta, meio baixa, meio gorda, meio magra, meio branca, meio queimada, meio agradável e meio um saco... gosto de forró e de Mozart, de sol e de chuva, de Shakespeare e de gibi, e daí?

Considero ridículo o poder que alguns se atribuem para “avaliar” o comportamento humano. Tal como deuses caídos do Olimpo, julgam, criticam e queimam nas fogueiras modernas tudo aquilo que é ambíguo. Carimbam rótulos imensos nas testas alheias dizendo “você é assim”; e ai de você se não for! Usam de uma visão de monóculos e não conseguem ir além do “sim ou não”. Fragmentam as pessoas, destorcem suas percepções e fecham - deliberadamente e bem fechados - os olhos, os ouvidos, e todos os demais sentidos, para o avesso das questões.

Tem aqueles que ficam tentando “montar” a gente feito quebra-cabeça: com meia dúzia de peças soltas e desencontradas.

Tem outros que parecem viver de tocaia. Ficam na espreita, só esperando que as pessoas “pisem na bola” ou dêem “bandeira” para poderem reafirmar suas teorias avaliativas e conclusivas sobre o “ser ou não ser” de cada um. É gente que vive para confirmar a teoria de que a raça humana é mesmo torpe, traiçoeira, pouco confiável e desprezível. E é claro que confirmam! Pois todos, absolutamente todos nós, mais dia menos dia “pisamos na bola”.

É porque somos humanos... e desumanos. Somos dia e noite, solidários e egoístas, calmos e agressivos, pacíficos e guerreiros, maravilhosamente benignos e terrivelmente cruéis. É, somos sim. Somos múltiplos: multifacetados, multivariados... multitudo!

É que em nossa singularidade somos absolutamente plurais.

Se para cada frase ou texto simples é possível fazer um grande número de interpretações distintas (todas pertinentes), imagina possuirmos, em sã consciência, a pretensão de analisar “correta e definitivamente” as pessoas: textos tão polifônicos!

Então, para não continuarmos “condenando” as pessoas, ergo aqui minha bandeira: sejamos holísticos! Deixemos que os seres sejam e não sejam, em paz.

E, ao exemplo dos orientais, busquemos uma visão mais adequada à realidade: a visão de caleidoscópio: um objetinho pra lá de legal que, apenas tocado de leve, nos proporciona um sem número de diferentes combinações.

Mas legal mesmo seria se conseguíssemos incorporar em nossas vidas ocidentais a acepção moderna de dialética. Daí compreenderíamos ser a realidade essencialmente contraditória e em permanente transformação.

Talvez assim entendêssemos o que Hegel quis dizer com “a verdade é o todo”.

Sheilla Alves

domingo 16 agosto 2009 13:55


Só o que pode dar certo

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Eu adoro crônicas. Adoro lê-las e escrevê-las, mas devo confessar que ando bastante desestimulada para dedicar-me à segunda atividade. É que se você não é uma cronista renomada, daquelas que escrevem para algum jornal ou revista, fica quase impossível publicar um livro de crônicas (inéditas). A menos que banquemos a publicação - aliás, bancando se publica tudo, tudo mesmo. Não sei o motivo disso, pois por tratar de assuntos cotidianos, bem próximos da gente, considero a leitura de crônicas algo agradabilíssimo. Contudo, a realidade irrefutável do mercado é essa. Além do mais, depois que a gente publica (seja lá o que for), fica meio sem paciência para escrever textos com tamanha dificuldade de aceitação por parte das editoras. É que os coitados dos textos (por melhores que sejam) ficam fadados a empoeirarem em nossas gavetas digitais. Em assim sendo, prefiro investir o meu tempo na escrita do meu primeiro romance, esse sim, com possibilidades concretas de ir parar nas estantes (reais e/ou virtuais) das livrarias, e de ser lido por um número expressivamente maior de pessoas do que os queridos e bem-vindos visitantes deste Blog, por exemplo. A verdade é que escritor que é escritor quer mesmo é ser lido. É esse o nosso grande prazer. Talvez o único. Porque grana mesmo, aqui no Brasil, esse ofício pouco (e a pouquíssimos) dá.

É que eu ando assim, principalmente depois dos últimos acontecimentos. Agora, eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder. Para quem me conhece e soube da recente decepção amorosa com um homem conhecido pela internet, num site de relacionamentos, sabe do que eu estou falando e consegue imaginar o porquê.

Por conta desse malfadado episódio, recebi apoio, carinho, e a manifestação de muita gente preocupada com o meu bem-estar emocional e físico. Quero aqui, sinceramente, agradecer. Mas também recebi sérias e duras críticas, que igualmente venho a público agradecer. Todas me fizeram pensar e repensar uma série de posturas, comportamentos e atitudes. E para que mais servem as experiências de vida, por mais tenebrosas e bizarras que sejam, senão para isso?

Concordo que fui ingênua e crédula ao extremo, vamos combinar!, e burra, muito burra. No entanto, vale esclarecer alguns pontos. Discordo veementemente de que o problema tenha sido o “universo virtual”, como se esse não estivesse intrinsecamente inserido no mundo real. Desculpem, mas considero bastante obsoleto pensar que são coisas dissociadas. E concordo com inúmeras pessoas quando dizem que tem gente legal e verdadeira buscando conhecer gente, também legal e verdadeira, em sites de relacionamento. Como essa que vos escreve, por exemplo. No mundo real ou no virtual existem pessoas de e do Bem e pessoas do mal. E ponto. De novo: bobalhona fui eu. E eu o seria se tivesse conhecido a criatura no mundo real também, igualzinho, podem acreditar.

Então, fiquem de cabelo em pé, meus caros amigos e leitores, pois eu não desisti do mundo virtual, não. E muito menos do amor. Só que agora eu já sei como fazer da próxima vez pra não cair em mais nenhuma esparrela patética, fiquem despreocupados, ok?

No mais, pensando bem, eu até gosto que haja tanto preconceito contra o mundo virtual e contra os sites de relacionamento. A concorrência anda grande, todas sabemos. A carência de homens (que valem realmente a pena) no mercado é espantosa e alarmante. E, quanto mais mulheres acharem que esse veículo de comunicação aqui não é confiável e nem eficiente, melhor. Mais possibilidades, mais chances e maiores probabilidades eu tenho de encontrar o meu grande e verdadeiro amor.

Desejem-me melhor sorte dessa vez!

Sheilla Alves

 

 

 

 

quarta 05 agosto 2009 15:56


Amorizade

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Amorizade

 

É curioso como que, muitas vezes, passamos metade de nossas vidas para chegarmos a conclusões relativamente simples.

Intuitivamente eu sempre soube. E, intuitivamente, busquei isso em minha vida e também ensinei ao meu filho: a Amizade é soberana. Ela é maior, mais sublime, mais preciosa e mais sagrada que o amor. E encontra-se acima deste.

Calma, meu amigo leitor, que eu explico!

Toda amizade baseia-se e fundamenta-se no amor. Não existe amizade se não houver um profundo e sincero amor. Já o contrário, freqüentemente acontece. Podemos amar sinceramente uma pessoa sem conseguirmos desenvolver amizade por e com ela.

A amizade é como uma macroscópica célula, com muitos elementos em seu interior, interagindo entre si. Seu núcleo vital, sólido e vistoso: o amor. E amor é tão somente isso: núcleo. Um núcleo diferente, atípico, auto-suficiente, que até dá conta de sobreviver sozinho. Mas a amizade perece instantaneamente se o amor-núcleo não estiver presente.

Comparativamente, a amizade-célula possui uma infinidade de elementos a mais que o amor-núcleo puro e simples.

Um amigo verdadeiro não é aquele que concorda e é conivente com os nossos erros. Ao contrário, ele puxa nossa orelha, nos dá broncas homéricas, diz que não concorda, explica o porquê e nos orienta, nos ajuda. Embora ele haja assim, um amigo jamais nos crucifica, jamais nos apedreja, não nos queima na fogueira e nunca nos joga impiedosamente numa jaula cheia de leões. Ao contrário, embora nem sempre estejamos certos, ainda assim ele nos protege, nos defende. Ele é capaz de, pessoalmente, entrar na jaula e lutar com as feras para que elas não nos devorem. Quem ama cuida? Quem ama protege? Nem sempre. Amigo, sim. Amor de amigo é incondicional.

Um amigo ouve, invariavelmente, a nossa versão dos fatos. Pondera, analisa os muitos lados que toda situação inevitavelmente têm. Para só depois, então, chegar às suas conclusões. Ele sempre nos dá a sagrada chance de defesa. Com empatia, coloca-se no nosso lugar. Consegue sentir o que a gente sente, como se fizesse parte de um só coração. O verdadeiro amigo fica feliz com a nossa felicidade, torce e vibra com o nosso sucesso, sofre com nossas derrotas e chora junto com a nossa dor. Já o amor, nem sempre.

Um amigo nunca se sente agredido e/ou ofendido por termos opiniões, crenças, valores e sentimentos diferentes dos dele. Respeita o nosso sagrado direito ao Livre Arbítrio. Nos aceita e nos ama exatamente como nós somos. Com todas as nossas qualidades e muitos defeitos. Com todas as nossas grandezas e limitações. Com toda a nossa luz e escuridão. Não fica buscando em nós um espelho. Não fica tentando nos modificar. Ao contrário, nos respeita em nossas singularidades, em nossas individualidades, com todas as nossas idiossincrasias. Um amigo nos valoriza e nos ama “apesar de”. Por vezes, o amor-núcleo não dá conta de ser assim.

Um amigo nunca nos trai. Ao contrário, guarda os nossos segredos para o resto da vida. Mesmo que sofra torturas, que passe por humilhações, ele jamais nos “entrega”. Não é dedo duro. Nele nós podemos confiar de olhos fechados, plenamente. O amor nem sempre é tão confiável.

Um amigo jamais nos abandona à nossa própria sorte. Ele está nessa vida conosco para o que der e vier! Debaixo d’água, no Pólo Norte, em Júpiter, onde e quando for que precisemos dele, lá ele estará. Nos bons e nos péssimos momentos de nossas vidas. Inexoravelmente. Mas o amor, não necessariamente age dessa forma.

Por mais que nossos objetivos, metas, planos e ideais de vida sejam diferentes, esquisitos, atípicos, utópicos, idealistas, difíceis, distantes, não lucrativos,  “inalcançáveis”, improváveis e/ou absurdos, um amigo jamais “pisa” nos nossos sonhos! Ao contrário, ele nos incentiva, torce, nos ajuda, banca conosco as nossas mais loucas metas, porque acredita na gente. Porque nos quer ver realizados e muito felizes. O amor-núcleo dificilmente age assim.

E é por tudo isso que eu vivo dizendo ao meu filho que a amizade-célula está acima de tudo nessa vida! Digo a ele que, um dia, se case não apenas por paixão ou amor, mas por amizade. Peço que busque em sua futura mulher um amor-amigo: um “amorizade”. E explico a ele a importância dos pais serem amigos dos filhos. Pais que não são amigos entre si, não conseguem ser amigos dos filhos. E não conseguem ensinar aos filhos o gigantesco e inestimável valor de uma amizade. Conseqüentemente, estes terão extrema dificuldade de serem amigos entre eles, e de fazerem amigos ao longo da vida. O que é muito triste.

Pensando bem, não foi apenas por seu sagrado e sublime Amor por nós, seres humanos, que Jesus Cristo deixou-se crucificar numa cruz. Com todos os nossos feios e terríveis erros, com todas as nossas limitações, imperfeições e falhas, com toda a nossa crueldade e desamor, ainda assim Ele nos amou, nos protegeu, nos defendeu e deu-nos a própria vida! Jamais nos abandonou. Afinal: quem não tem pecados que atire a primeira pedra!!! E mesmo não tendo pecados, Ele nunca nos condenou!

Aí está um belíssimo, notável e extraordinário exemplo de Amizade!!!

 Sheilla Alves

 

sexta 05 dezembro 2008 10:01


Salieris da vida

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        Hoje me lembrei de um filme antigo (de 1984) que assisti no cinema: Amadeus. Para quem não viu ou não lembra, trata-se da história (obviamente romanciada) do gênio musical Johannes Chrisostomus Wolfgang Theophilus Mozart (nascido em Salzburgo, Áustria, a 27 de janeiro de 1756). O escritor Peter Shaffer escreveu uma peça teatral sobre a vida deste gênio, que foi depois adaptada para o cinema por Milos Forman, dando origem a esse belíssimo filme.

No filme vemos que Amadeus Mozart (como era e é conhecido) começou a compor prodigiosamente com cinco anos de idade. Ele viveu grande parte de sua vida em Viena e freqüentemente viajava por toda a Europa. Dispunha de uma memória e de uma capacidade de trabalho extraordinárias! Quando Amadeus criava, tinha a obra por completo  na cabeça, depois era só passar para o papel. Chegou a compor uma sinfonia inteira no mesmo dia!

Mozart é considerado um dos grandes gênios da música clássica e um dos compositores mais executados em concertos sinfônicos ao redor mundo. Mostrou, em muitos de seus trabalhos, que podia escrever peças tão maravilhosas tanto para os instrumentos como para cantores líricos, ou para violino ou para piano. Mozart é tido como o compositor que iniciou a transição para o período romântico da música clássica. E eu, pessoalmente, o amo! E o admiro muito!

Tchaikovsky também admirava Mozart e dedicou-lhe a obra Mozartiana. Beethoven foi influenciado por Mozart e escreveu inspirado em algumas das suas obras, em especial o Concerto para piano nº 20. Enfim, seu talento e genialidade são indiscutíveis! Mozart é provavelmente o maior gênio musical da história.

Apesar de ter sido tão brilhante, não teve uma vida fácil. Muitas vezes, não recebeu o reconhecimento devido e nem o pagamento prometido pelo seu trabalho. Gradativamente, comprometeu sua saúde. Viveu apenas um pouco mais da metade do que viveu Beethoven, mas foi assombrosamente prolífico desde sua infância até sua morte em 1791.

Mas não foi exatamente de Mozart que eu lembrei quando me veio à cabeça o filme Amadeus, mas sim de outro personagem: o compositor italiano Antonio Salieri. Falava-se, na época, que o talento de Mozart provocava uma descomunal inveja em Salieri e que este teria sido, inclusive, o responsável pela sua morte, por envenamento. Essas suspeitas estão inseridas na ópera de Rimsky-Korsakov: "Mozart e Salieri" (1898).

No filme de 1984, vemos um Salieri medíocre musicalmente e um Mozart absolutamente genial. Chegamos a sentir pena deste Salieri que é um apreciador apaixonado e fervoroso da música sem, contudo, conseguir realmente compor com qualidade e/ou brilhantismo. Ele era um bom professor, um grande amante da música, mas um músico desprovido de talento. Em contrapartida, era um homem abarrotado de frustração, despeito e inveja. Por tudo isso, tornou-se um “crítico musical” austero, desdenhoso e injusto, carrancudo e de mal com a vida. Uma figura patética.

Pelo fato de Salieri ter lecionado a alunos ilustres, como Schubert, Liszt e Beethoven, há controvérsias quanto a alguns detalhes acerca da vida desse compositor(?) italiano. Chegam a supor que, talvez, ele não fosse assim tão medíocre.

A despeito de tratar-se de uma lenda ou não, quantos Salieris de carne e osso, com suas frustrações, seus despeitos e invejas, não conhecemos ainda hoje? Com quantos seres patéticos como ele, não temos o desprazer de cruzar ou esbarrar nessa nossa vida?

E, o que é pior, esses Salieris modernos invejam pessoas comuns, de talentos apenas razoáveis, que brilham sim, mas que de Wolfgang Amadeus Mozart estão, e sabem-se!, distantes quilômetros luz.

Sheilla Alves

http://www.youtube.com/watch?v=-ciFTP_KRy4&feature=related

assista no YouTube

 

segunda 10 novembro 2008 15:45


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